Sei de uma camponesa
Sem campo sem quintal
Que canta debruçada
Ao sol da seara
O trigo na cara
De suor tão debulhada

Sei de uma camponesa
Que dança à noite na eira
Perfumada de avenca e feno
Enfeitada de tomilho
E canta com a expressão
De quem vai ter um filho
Mesmo pelo coração

Sei de uma camponesa
Que nunca enche esta cidade
Nunca se senta à minha mesa
Nunca me leva à sua herdade
Para ouvir um trocadilho
Para tornar realidade
Um sonho que perfilho

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

De uma camponesa

Carlos Tê

(Ex)Citação de  Carlos Tê

Letrista e escritor português. Licenciado em filosofia na Universidade do Porto.