Que doentia claridade
a que me invade e me obsidia,
durante a noite e à luz da tarde,
à luz da tarde, à luz do dia!
Que doentia aquela grade
de insone e ténue claridade,
sob a avançada gelosia!

Passo na rua e nada vejo
senão a luz, a luz e a grade.
Ó lamparina do desejo,
porque ardes tu, até tão tarde?
E às vezes surge, entre a cortina,
aquela sombra vespertina
que me retém nesta ansiedade.

E às vezes surge

E às vezes surge

E às vezes surge

E às vezes surge

E às vezes surge

E às vezes surge

E às vezes surge

David Mourão-Ferreira

(Ex)Citação de David Mourão-Ferreira

Poeta e escritor português.