Livre, liberta em pedra.
Até onde couber
tudo o que é dor maior,
por dentro da harmonia jacente,
aguda, fria, atroz,
de cada dia.

Não importam feições,
curvas de seios e ancas,
pés erectos à luz
e brancas, brancas, brancas,
as mãos.

Importa a liberdade
de não ceder à vida,
um segundo sequer.

Ser de pedra por fora
e só por dentro ser.
- Falavas? Não ouvi.
- Beijavas? Não senti.
Morreram? Ah! Morri, morri, morri!

Livre, liberta em pedra,
voltada para a luz
e para o mar azul
e para o mar revolto...
E fugir pela noite,
sem corpo, nem dinheiro,
para ler os meus santos
e os meus aventureiros,
(para ser dos meus santos,
dos meus aventureiros),
filósofos e nautas,
de tantos nevoeiros.

Entre o peso das salas,
da música concreta,
de espantalhos de deuses,
que fará o Poeta?

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Liberta em pedra

Natércia Freire

(Ex)Citação de Natércia Freire

Escritora e poetisa nascida em 1920, em Benavente.