Já quasi até morria
C’os olhos nos da amada.
E ela que se sentia
Não menos abrasada:
- “Ai, caro Atfes! – dizia -
Não morras inda, espera
Que eu contigo morrer também quisera”
A ânsia com que acabava
A vida, Atfes, refreia,
E, enquanto a dilatava,
Morte maior o anseia.
Os olhos não tirava
Dos do ídolo querido,
Nos quais bebia o Néctar diluído.

Quando a gentil Pastora,
Sentindo já chegada
Do doce gosto a hora,
Com a vista perturbada
Disse, tremendo: – “Agora
Morre, que eu morro, amor”
- “E eu – disse ele – contigo”
Viram-se desta sorte
Os dois finos amantes
Mortos ambos de um tal corte;
E os golpes penetrantes
Desta casta de morte
Tanto lhe agradaram,
Que para mais morrer recuscitaram.

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

Quasi morria

José Anastácio da Cunha

(Ex)Citação de José Anastácio da Cunha

Poeta e matemático de genial invento.