Não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Todas as manhãs

Miguel Torga

(Ex)Citação de Miguel Torga

Poeta, contista e memorialista. Escrevi também romances, peças de teatro e ensaios. Prémio Camões de 1989.